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Workshops de Puberdade para Raparigas: os Encontros de Meninas Rebeldes

2 de out.
7 min de leitura

O que transmitimos — ou não — às nossas filhas

Quando uma rapariga entra na puberdade, o que lhe dizemos realmente?


Depende.

Depende da família, da cultura, dos tabus herdados. Nas gerações anteriores, as raparigas recebiam muito pouca — ou nenhuma — informação sobre o que acontecia no seu corpo. As menstruações chegavam de surpresa. O corpo mudava sem explicação. Não se faziam perguntas porque não se sabia que se podia fazê-las.


Felizmente, nos últimos anos isso tem vindo a mudar. Muitos pais fazem esforços reais para falar com as filhas, para nomear as coisas, para quebrar tabus. E isso é uma evolução bonita.


Mas há um novo desafio.


Hoje, uma rapariga não tem falta de informação. Recebe-a de todo o lado — em casa, na escola, com as amigas, e sobretudo nos ecrãs. O problema já não é necessariamente o silêncio. É o ruído. É a mistura entre o que é verdadeiro e o que não é, entre o que é adequado à sua idade e o que não é, entre o que é gentil e o que é ansioso ou sexualizado demasiado cedo.


É preciso fazer essa triagem. E uma rapariga não pode fazê-la sozinha.


Foi por isso que criei estes workshops de puberdade: Encontros de Meninas Rebeldes: um espaço entre dois extremos. Nem o silêncio das gerações passadas, nem a sobre-exposição dos ecrãs. Informações fiáveis, científicas, adaptadas, num ambiente acolhedor e seguro — com espaço para as emoções, as perguntas, e até para o espiritual.


Porque conhecer o teu corpo muda tudo

Há algo de radical em conhecer a própria anatomia.


Não apenas as palavras — útero, ovários, vagina — mas compreender o que acontece realmente. Porque os seios doem em certos dias. Porque o humor muda ao longo do mês. Porque certas semanas nos sentimos invencíveis e outras completamente em baixo. Não é fraqueza. Não é loucura. É biologia — e ela tem a sua própria lógica, beleza e inteligência.


Uma rapariga que compreende o seu ciclo já não o sofre. Ela lê-o. Orienta-se por ele.


Uma rapariga que conhece os seus órgãos genitais pelo nome real — sem eufemismos, sem rodeios — tem uma relação diferente com o seu corpo. Pode falar sobre ele. Pode dizer não. Pode dizer sim. Pode notar quando algo está errado. Tem vocabulário para a sua própria vida.


E uma rapariga que aprendeu que as suas emoções fazem parte do seu ciclo, que o cansaço antes da menstruação é real e legítimo, que o impulso criativo após a ovulação não é acaso — essa rapariga cresce com um autoconhecimento que a maioria das mulheres adultas nunca recebeu.

Workshops de Puberdade para Raparigas: os Encontros de Meninas Rebeldes

Porque entre raparigas, e porque em grupo

Há coisas que não se dizem na presença dos rapazes.


Não porque se escondam — mas porque a presença mista muda algo. O embaraço instala-se. O olhar do outro filtra o que se ousa dizer. As raparigas censuram-se, comparam-se, põem-se em cena.


Entre raparigas, algo se descontrai.


As perguntas chegam mais facilmente. As dúvidas partilham-se — e descobre-se que não somos a única a não ter percebido o que acontecia na primeira vez que vimos sangue. Que não somos a única a ter sentido vergonha. Que não somos a única a ter tido essas perguntas.


É isso a sororidade: não uma palavra vazia, mas a experiência concreta de não estar sozinha.


E em grupo, algo ainda mais poderoso acontece: as raparigas educam-se umas às outras. A que sabe explica. A que tem medo recebe. A que tem vergonha vê as outras falar sem vergonha — e a vergonha começa a dissolver-se.


Porque individualmente, não é tão poderoso. Em grupo, partilhamos, confrontamos informações, discutimos. Aprendemos progressivamente a levantar tabus — e a falar sobre estes assuntos de forma saudável com as amigas. É uma competência que as raparigas levam consigo muito para além dos encontros.


É por isso que trabalho em grupo, e com regularidade. Um dia é um começo. Encontros que se repetem, mês após mês, são uma transformação.


O que muda ao longo do tempo com estes workshops de puberdade

Vi raparigas chegar aos encontros de ombros encolhidos, olhos nos sapatos, incapazes de pronunciar a palavra «menstruação» sem corar.


E vi essas mesmas raparigas, alguns meses depois, explicar o ciclo hormonal a uma amiga com uma precisão e uma naturalidade que me tocaram.


Não é magia. É a repetição num espaço seguro.


A confiança não se constrói num dia.


É por isso que valorizo a regularidade dos encontros — porque é ao longo do tempo que as verdadeiras perguntas emergem. Não as perguntas de superfície, mas as do fundo.


Nada é nunca obrigatório nos nossos encontros. Nenhuma rapariga é forçada a falar, a partilhar, a testemunhar. Pode-se escutar. Pode-se desenhar enquanto se escuta. Pode-se passar um dia inteiro sem dizer uma palavra e partir com algo.


As perguntas anónimas num papel libertam aquelas que ainda não conseguem falar em voz alta.


Avançamos ao ritmo do grupo, e ao ritmo de cada rapariga. Verifico sempre se estão prontas antes de ir mais longe num tema.


Uma abordagem completa: corpo, ciência e espiritualidade

O que adoro neste trabalho é a aliança entre vários níveis.


Por um lado, sou naturopata e prezo a precisão científica. Falamos de anatomia real, fisiologia, hormonas, ciclos. Nomeio os órgãos pelos seus nomes verdadeiros. Trago material visual — esquemas, pranchas anatómicas, modelos concretos para manipular, material didático e lúdico. Porque o conhecimento concreto é poder.


Por outro lado, o ciclo feminino não se resume à biologia. É também um ritmo vivo, com as suas estações interiores. A fase folicular como a primavera — a semente que cresce, a energia que sobe. A ovulação como o verão — a plenitude, a abertura, o brilho. A fase lútea como o outono — o recolhimento, a sensibilidade, o deixar ir. E a menstruação como o inverno — o descanso, a renovação.


Aprender a ler este ritmo é aprender a escutar-se de uma forma que poucas mulheres adultas dominam.



Os workshops manuais — cosméticos artesanais, preparações de plantas, remédios naturais — não estão lá para fazer bonito. Ancoram este conhecimento no corpo. Fabricamos com plantas. Compreendemos o que pomos na pele. Descobrimos a herbologia, os óleos essenciais, os cosméticos naturais, os cuidados simples e acessíveis. As mãos ocupadas, as línguas desatam-se — e as perguntas chegam de outra forma, mais livremente.



Os ciclos como estações

O ciclo menstrual não é apenas um inconveniente. Pode ser entendido como uma inteligência.


Durante séculos, em muitas culturas, as mulheres organizavam a sua vida em ligação com o seu ciclo. Sabiam quando se recolher, quando criar, quando agir, quando descansar. Esse conhecimento foi perdido — substituído pela injunção de ter o mesmo desempenho todos os dias do mês, independentemente das fases interiores.


As raparigas que aprendem isso cedo têm uma vantagem. Não para viver fora do mundo, mas para se conhecerem bem o suficiente para nele se orientarem.


Os temas que exploramos juntas nos workshops de puberdade

Os temas evoluem em função da idade e da maturidade do grupo — não abordamos os mesmos assuntos com raparigas de 9 anos e com adolescentes de 15.



Tudo se faz progressivamente, respeitando o ritmo de cada uma.


Entre os temas regularmente explorados :

  • As mudanças ligadas à puberdade — corpo, hormonas, pelos, transpiração, seios

  • Os órgãos genitais femininos — anatomia, fisiologia, nomes verdadeiros

  • A menstruação — como funciona, os diferentes tipos de proteção, a gestão no dia a dia

  • O ciclo menstrual e as suas fases — compreender o que acontece cada mês

  • As emoções ligadas ao ciclo — legitimar o que sentimos

  • A imagem do corpo feminino — o que os media e os ecrãs nos mostram, e o que é real

  • As relações de amizade — ciúme, sororidade, apoio mútuo, o olhar das outras

  • As primeiras histórias de amor — consoante a maturidade do grupo

  • O consentimento e os limites — saber dizer não, saber ouvir o não

  • A sexualidade e a contraceção — abordadas progressivamente, para grupos mais velhos

  • Os cosméticos e a pele — o que nos vendem, o que podemos fazer nós próprias

  • As plantas e os remédios naturais — herbologia acessível, cuidados do quotidiano


E claro, as perguntas que as raparigas trazem elas próprias — muitas vezes as mais importantes.


Quem somos

Fanny — naturopata higienista holística, mãe de três filhas, acompanho a saúde natural de mulheres e adolescentes há anos. A educação feminina está no centro da minha vida. Vejo nisto uma missão tanto quanto um prazer profundo.


Alya e Zia, as minhas duas filhas mais velhas, participaram nestes encontros quando eram mais novas. Estão imersas na saúde feminina desde a infância e partilham hoje o seu conhecimento por sua vez — cada uma com a sua personalidade, a sua energia, a sua forma de estar com as raparigas. Receber de três mulheres em fases de vida diferentes é uma riqueza que quero preservar.


O que elas dizem

L., 19 anos: «Participei nestes workshops com a Fanny dos meus 12 aos 15 anos. Aprendi a conhecer o funcionamento do meu corpo, dos meus ciclos, a identificar a minha ovulação. Também adorei as conversas sobre relações amorosas — ajudou-me a ganhar confiança e a procurar relações saudáveis e consentidas.»


M., mãe: «A minha filha participou nos workshops da Fanny. Adorou e continuava a falar sobre estes assuntos com as amigas entre os encontros. Os temas que a Fanny aborda são mesmo variados e as raparigas sentem-se verdadeiramente à vontade com ela.»


A., 12 anos: «Gosto muito de participar nestes dias. Fazemos atividades fixes, rimo-nos e aprendemos muita coisa. Quero fazer mais cosméticos, mais desenhos e falar de coisas de raparigas.»


Na prática

Os Encontros de Meninas Rebeldes têm lugar em Aljezur, Portugal.


Desloco-me também a França, Suíça e outros países para dias ou encontros de vários dias.


Organizo também pontualmente Summer camps — vários dias juntas, para ir ainda mais longe.


Os encontros dirigem-se a raparigas de acordo com a sua maturidade e fase de puberdade, não estritamente pela idade. Porque cada rapariga cresce ao seu ritmo — e é precisamente isso que respeitamos.


Para ir mais longe

Ofereço também consultas de naturopatia para raparigas — sozinhas ou acompanhadas por um familiar, presencialmente ou online.


Acompanho as adolescentes na sua saúde: as primeiras menstruações, as dores, a pele, a alimentação, as emoções, as primeiras relações. Respondo às suas perguntas — sem julgamento, nunca.


Estou à vossa disposição 🌸


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