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O clitóris: o órgão inteiro — o que o teu corpo já sabe

  • Fanny
  • 25 de jun.
  • 5 min de leitura

O clitóris é um dos órgãos mais desconhecidos do corpo humano.

No entanto, todas as raparigas o descobrem muito cedo — por vezes mesmo antes do nascimento, durante a vida intra-uterina.

É um órgão escondido, durante muito tempo tabu, do qual não se fala. Outrora silenciado e considerado vergonhoso, está felizmente a ganhar terreno no espaço público.

É tempo de lhe fazer justiça.

Um órgão presente antes do nascimento

O feto feminino começa a desenvolver o seu clitóris a partir da oitava semana de gravidez. Estudos de observação mostraram que alguns fetos femininos se estimulam espontaneamente in utero.

Não é insignificante.

Significa que o corpo feminino conhece este órgão muito antes de a medicina se dignar a interessar-se por ele — e muito antes de a sociedade decidir que deveria ser motivo de vergonha.

O clitóris não é uma descoberta moderna. É a medicina que ficou para trás.

O que a anatomia te escondeu

Durante séculos, o clitóris foi representado como um simples ponto — um pequeno protuberância visível no exterior, cuja finalidade ninguém sabia muito bem o que fazer.

O que sabemos hoje muda tudo.

O clitóris é na realidade um órgão interno, vasto e complexo. O que vemos — a glande clitoridiana — é apenas a ponta de um icebergue.

O órgão completo inclui:

— a glande (a parte externa, visível)

— o corpo clitoridiano (que se estende em profundidade)

— dois bolbos vestibulares (de cada lado da vagina)

— dois pilares (que se ancoram nos ossos do púbis)

— o ligamento suspensor

O conjunto forma uma vasta rede de tecidos eréteis, fáscias, músculos e nervos — profundamente enterrado na bacia.

Embora descrições anatómicas do clitóris existissem bem antes — nomeadamente a notável descrição do anatomista Georg Ludwig Kobelt em 1844 — a urologista australiana Helen O'Connell teve de, em 1998, restabelecê-las com recurso às técnicas de imagiologia modernas. Décadas de silêncio médico tinham apagado o que a ciência já sabia.

8 000 a 10 000 terminações nervosas

O clitóris possui entre 8 000 e 10 000 terminações nervosas — duas a duas vezes e meia mais do que o pénis (Pascali-Bonaro, Frontiers in Global Women's Health, 2025).

É o órgão mais inervado do corpo humano, em todas as categorias.

Toda esta densidade nervosa tem uma razão de ser — e vai muito além do prazer.

No centro desta rede: o nervo pudendo. Antes chamado "nervo da vergonha" — a palavra latina pudendum significa vergonha. Era assim que a medicina designava os órgãos genitais femininos durante séculos.

Chamaram ao nervo do prazer feminino: vergonha.

Não é linguística. É política.

Este nervo inerva todo o pavimento pélvico. Liga o clitóris ao útero, aos músculos pélvicos, aos esfíncteres. Tudo está ligado.

É através dele que a estimulação clitoridiana desencadeia a libertação de beta-endorfinas — os analgésicos naturais do corpo — e faz baixar o nível de cortisol, a hormona do stress.

O que as mulheres já sabem em segredo

Muitas mulheres já conhecem intuitivamente os poderes desta zona.


Quem não terá, numa noite de menstruação dolorosa ou de insónia, simplesmente acariciado ou estimulado esta zona para encontrar alívio?

Não é por acaso. É fisiologia.

No entanto, muitas mulheres não se permitem explorar esta zona sozinhas — porque lhes ensinaram que era reservada à partilha sexual com um parceiro. Porque não se faz. Porque é tabu.

E muitas outras simplesmente não conhecem o próprio corpo — nem o extraordinário potencial desta zona, seja para o prazer ou para aliviar as dores.

É aqui que reside, na minha opinião, uma das grandes injustiças feitas às mulheres.

Quando a medicina apagou um órgão

Martin Winckler — médico e autor de "Le choeur des femmes" — foi um dos primeiros em França a nomear o que muitas mulheres já sabiam: a medicina francesa exerce uma violência sistémica sobre os corpos femininos.

Esta violência começa pela ignorância. E por vezes, começa pelo silêncio.

Ignorar um órgão. Não o ensinar nas faculdades de medicina. Retirar o clitóris das pranchas anatómicas — o que aconteceu em alguns manuais de medicina do século XX. Não levar a sério as dores que lhe dizem respeito.

O Dr. Gérard Leleu, sexologista e médico francês, autor de "La caresse de Vénus" e do Traité des caresses (mais de um milhão de exemplares vendidos), dedicou a sua vida a reabilitar o prazer feminino como dimensão plena da saúde.

Rina Nissim, no "Mamamélis — Manuel de gynécologie naturopathique à l'usage des femmes", coloca a mesma questão fundamental: e se as mulheres retomassem as rédeas do seu corpo, da sua saúde ginecológica, das suas ferramentas naturais?

Alexandra Hubin e Caroline Michel, em "Entre mis labios, mi clitoris" (Éditions Urano), desmontam metodicamente os mitos que rodeiam este órgão e restituem o seu lugar real na sexualidade e na saúde femininas.

Não é por acaso que todos estes trabalhos convergem para o mesmo ponto: o corpo feminino foi apagado. Está a voltar.

O que ouço nas consultas

Como naturopata, acompanho mulheres com dores ginecológicas de todo o tipo.

Dores no clitóris, comichão nos lábios, secura, formigueiros, ardor, infeções, candidíases, corrimentos incomuns.

Para cada um destes sintomas, o primeiro passo é excluir qualquer patologia ou IST. Depois — e é aqui que a naturopatia entra em cena — procuramos as causas profundas, de forma holística.


É um problema de inflamação? De disbiose? De aderências dos tecidos e das fáscias? Uma origem osteoarticular? Houve relações dolorosas ou violentas, irritação causada por produtos de higiene, cosméticos, lubrificantes, alergias?

Não é sistemático. Cada mulher é diferente. Cada terreno é único.

Recebo igualmente muitas mulheres que sofrem de dores inexplicadas na zona do nervo pudendo — e que vivem um verdadeiro percurso da cruz para serem ouvidas.

A sua dor é minimizada. É menosprezada. Por vezes, insinua-se que é imaginária.

Ignorância do corpo médico. Violências ginecológicas. Errância médica, de exame em exame, sem resposta fiável.

Estas mulheres existem. A sua dor é real. E existem ferramentas naturais para as acompanhar.

Um órgão que merece ser conhecido

O clitóris não é apenas um órgão do prazer.

É um órgão neurológico maior. Um regulador da dor. Uma zona de conexão entre o corpo físico, o estado emocional e o sistema nervoso.

As tradições ancestrais — do tantrismo à medicina ayurvédica, passando pelas práticas xamânicas sul-americanas — sempre integraram a sexualidade feminina como uma dimensão terapêutica plena, sem imposição, sem desempenho, no respeito pelo ritmo de cada mulher.

Não é por acaso. As mulheres muitas vezes souberam, muito antes de a ciência o medir.

O que a naturopatia propõe é simplesmente devolver a cada mulher as chaves do seu próprio corpo — com gentileza, com respeito, e sem julgamento.

Graças a muitas ferramentas naturais, utilizadas da forma correta, bem selecionadas e testadas, chegamos a encontrar, pouco a pouco, métodos que cada uma vai adaptar e apropriar-se para um maior bem-estar.

Nesta série:

Para ir mais longe

Este artigo faz parte de uma série sobre o clitóris e a saúde feminina.

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